Uma parte do meu livro; MALDIÇÂO PROFERIDA

RELATO DE UMA AGRESSAO


Infelizmente, com muita dor em meu coração, hoje uma tarde de trabalho, lembrei e achei necessário relatar, ou melhor, narrar, umas das minhas agressões, quero porem ressaltar que essas lembranças são, para mim doloridas, mas necessárias.
Tenho por objetivo, tentar levar o leitor a ter uma noção, a se possível imaginar, a talvez em pensamento se por no lugar, e se até mesmo por momentos, sentir o que eu, naqueles dias senti; sei que em dados momentos não vou conseguir me controlar, por isso procurarei escrever em partes, para poder me acalmar, e voltar a escrever.

O porquê?

Por mais que puxe em minha memória, não consigo lembrar, ou talvez tenha bloqueado da minha mente naqueles dias de criança, mas lembro-me bem que estava na hora de ir ao colégio, pois ja estava com o uniforme.
Tudo o que consigo lembrar, foi quando ela (minha agressora), se apoderou de mim, me segurando pelo braço, e já me deu dois tapas no rosto, eu, já em pânico a pedi que não me batesse.
Mas foi em vão, fui colocado em baixo do seu joelho, ela ordenou a minha irmã que fosse buscar uma mangueira, (dessas de ligação entre o fogão e o botijão de gás), e nesse meio tempo minha agressão começou com um pedaço de lenha grossa.
Com a negativa de minha irmã, ela ficou ainda mais furiosa e também deu um tapa, no rosto da menina que tentava em vão me proteger.
Por fim o objeto do meu suplicio foi encontrado, e sem pensar nas conseqüências que poderia causar a mim, uma criança, minha agressora começou a me golpear com todas as suas forcas, e com uma gana fora do comum.
A dor, dela lembro bem, a cada vez que a mangueira era golpeada em meu corpo, franzino, latejava, mais as vezes queimava, e ela, a mangueira, chupava a pele, a dor era horrível, e isso me rendeu escoriações horríveis, e um tão temido banho de salmoura, na minha volta do colégio.
Sabe, era uma dor não só física, porque entre momentos eu em minha inocência de criança, pensava o porquê de ela, minha agressora, mesmo vendo o que acontecia com meu pequeno corpo, continuava a me golpear, e com todas as suas forcas.
A lembrança mais lamentável, e dolorosa durante a minha agressão, é que podia ver nos olhos da minha agressora, a raiva; raiva essa que não entendia o porquê, como em sã consciência, ela podia me bater com todas as suas forcas; e, por mais que tentasse me livrar das suas mãos mais ela tinha raiva.
E lamentavelmente, as mangueiradas não pegavam em uma só parte de meu corpo repito de criança, nas pernas, nas costas, nas nádegas, essas ficaram muito machucadas, que me renderam dores horríveis por dias a fio.
Sabe, eu tentei de todas as formas, e me vali de todos os argumentos, na tentativa de persuadir minha agressora a parar, lembro-me bem que eu pedia, por amor de Deus, tentei chama-la de mãezinha, cheguei a dizer a ela que a amava.
Mas ela disse que agora não adiantava chama-la de mãezinha, eu jurava que não faria mais, seja lá o que tenha feito, mas eram vãs as minhas tentativas.
Nunca vou esquecer, que em certo momento, imagino eu de raiva, ela disse que iria me matar, para que eu a não incomodasse mais, nesse momento, não sei de onde tirei forcas, e pedi que ela me matasse, na realidade implorei, para que ela fizesse isso pelo amor de Deus.
Nunca vou esquecer que lá no fundo eu queria realmente morrer, era um sentimento que nunca ficou guardado, na realidade tudo o que queria, era que a dor parasse.
Meu desespero momentâneo era tanto, que pensei, que em ela me matando, eu não mais teria dores, e implorei que ela me matasse, não sei como e de onde arrumei forças, mas eu a desafiei para que minha vida fosse dada por encerrada, eu realmente queria morrer.
Pasmem, ela então colocou a mão em meu pescoço, por mais incrível que possa parecer, pensei que seria meu fim, mas, não estava com medo, imaginei que, meu sofrimento iria acabar mas não sei por que, ela desistiu.
Hoje, enquanto lembro, sinto uma dor horrível, os olhos dela demonstravam toda a raiva que sentia, mas ela não tinha motivos para ter raiva de mim, e ela não tinha o direito de ter raiva, nem de mim, ou de meus irmãos.
Lamento deixar registrado que, não mais seguro as lagrimas, mas tenho que me controlar porque preciso ir até o fim, não posso agora desistir, preciso mostrar ao leitor o que uma criança sente ao ser espancado, você que não imagina o quanto é difícil para mim esses escritos.
Nenhuma pessoa tem o direito de ter raiva de uma criança, esse sentimento não pode existir entre pais e filhos, a raiva é uma porta escancarada para que Satanás entre na família e a destrua por completo.
Tudo o que uma criança precisa e tem direito a receber é, amor, proteção e o mínimo de respeito, a sua fragilidade infantil, essa, que não a ajuda a defender-se de seus, covardes agressores, que não sente o que a criança sente.
Por fim e após vários golpes de mangueira, e muitos tapas no meu rosto, não lembro como e nem porque me soltei ou fui liberado, para lamentar a dor em meu corpo, que latejava, queimava mesmo.
A lembrança que mais me revolta, depois de ter sido espancado, ainda tive que ir para o colégio, nunca; vou esquecer que no meio do caminho reclamava para; bem; não me lembro quem estava comigo.
Mas reclamava pois meu corpo estava todo dolorido, e cada passo que dava meu pequeno corpo doía, e não podia falar nada a ninguém, em meu colégio por medo, não de ser exposto, mas pasme tinha medo de expor minha agressora, a uma repreensão dos meus professores.
Lamento em lembrar que, meu pequeno corpo, magro ao extremo, queimava de tanta dor, talvez você que lê, tenta, mas não consegue imaginar, era uma dor terrível minhas pernas queimavam.
A pessoa que comigo estava e que hoje não consigo me lembrar quem era, me ajudou levando minha pasta para que eu pudesse me recompor.
Aquele dia, no colégio, não podia sentar direito na minha carteira, a dor custou a passar.
Por fim, aos poucos fui esquecendo a dor, mas teria que voltar para casa, essa certeza me horrorizava.
Quando cheguei em casa, la estava ela, sem o mínimo remorso, como se nada tivesse acontecido, ela chegou ao cumulo de dizer que eu não gostava dela, porque quando ela me soltou eu havia esbravejado, pasme de vitima me tornei culpado, julgue você leitor, quem foi a vitima.
As lembranças desse ato são lamentáveis, mas necessárias, não poderia deixar de escrever sobre elas...